Uma adolescente de 15 anos é apontada pela Polícia Civil como a principal incentivadora do ataque à Escola Estadual Sapopemba, em São Paulo (SP), que deixou a estudante Giovanna Bezerra da Silva, de 17 anos, morta.
Segundo a investigação, a menina conversou com o autor do atentado – um adolescente de 16 anos – pela plataforma Discord horas antes do crime.
As conversas ocorriam em um grupo fechado de jovens, a maioria menores de idade, já identificado pelo Laboratório de Crimes Cibernéticos do Ministério da Justiça. Também foi possível apurar que um dia antes de entrar armado no colégio, o estudante:
- compartilhou com os participantes do grupo seus planos para o ataque a escola de Sapopemba;
- mandou fotos do local para que fossem dadas ideias de como executar o ataque;
- foi amplamente incentivado pelos participantes e, inclusive, instruído a executar o ataque;
- prometeu fazer uma transmissão ao vivo do atentado, o que não ocorreu;
Nas conversas, os investigadores ainda descobriram que horas depois do atentando:
- os integrantes do grupo no Discord reclamaram que a estudante matou apenas uma aluna;
- acharam ruim o fato de ele não ter feito a transmissão do ataque;
- ficaram com medo de serem relacionados ao crime e falaram em formatar seus celulares, desativar as contas da plataforma e as localizações dos smartphones para despistar a polícia.
- enquanto alguns afirmaram não terem culpa pelo crime, pois o autor teria entrado no grupo já determinado a cometer o ataque, outros assumiram a responsabilidade.
A polícia trabalha para identificar os participantes do grupo. O principal obstáculo é o uso de VPN (rede privada virtual) para acessar as conversas com IP (protocolo de rede) de outros estados. Em um dos bate-papos, inclusive, um adolescente fala não ter medo de ser localizado pois utiliza VPN.
Na segunda-feira (30), a Discord informou que baniu o grupo no qual o autor do ataque à escola de Sapopemba e os outros jovens conversavam.
Ataque a escola de Sapopemba
O ataque na Escola Estadual Sapopemba (SP) ocorreu no início da manhã de segunda-feira (23), por volta das 7h20. O adolescente entrou no local armado e atirou contra quatro meninas, uma morreu, duas ficaram feridas e a quarta escapou porque a arma falhou.
Giovanna foi baleada na nuca com um tiro à queima-roupa. Ela chegou a ser socorrida com vida e levada para o pronto-socorro do Hospital Sapopemba, mas não resistiu ao ferimento.
De acordo com o Governo de São Paulo, as outras duas vítimas têm 15 anos e estudavam na mesma sala que o agressor, no 1º ano do ensino médio. Uma delas foi atingida por um disparo de arma de fogo na clavícula e a outra no tórax. Elas não correm risco de morte.
O autor do ataque usou uma arma do pai para cometer o crime. O homem, que não teve a identidade divulgada, acabou indiciado posse irregular de arma de fogo e omissão de cautela, que é quando o responsável pela arma não toma o cuidado o suficiente para impedir que menores de idade tenham acesso a ela.
