As gêmeas siamesas Allana e Mariah, de 2 anos e 10 meses, que nasceram unidas pelo crânio, conseguiram ficar frente a frente após passarem por quatro cirurgias e serem totalmente separadas. A história das duas foi exibida neste domingo (22), no Fantástico.
Antes, ela sabia que ela tinha a irmã dela, mas ela nunca tinha visto o rostinho da irmã. Eu sempre falei: ‘Vai chegar o dia de vocês se verem, se conhecerem, poder abraçar sua irmã’. E, agora, esse dia chegou”, declarou a mãe Talita Cestari, ao programa global.
As irmãs de Piquerobi, cidade do interior de São Paulo, ganharam alta médica e voltaram para casa no dia 11 de outubro, um dia antes do Dia das Crianças e 52 dias após o último procedimento cirúrgico.

“Para mim foi um choque. Assim, quando eu vi, porque eu não imaginava o grau da união delas, eu sabia que elas eram unidas, mas eu não imaginava o quanto […] Allana e a Mariah ensinam a gente muito. A gente foi se adaptando junto com elas”, contou a mãe sobre o nascimento das filhas.
Segundo os médicos responsáveis pelas cirurgias, foram necessários vários procedimentos para que a separação das veias das gêmeas siamesas fosse feita progressivamente, de forma que o cérebro tivesse o tempo necessário para se acostumar e recuperar.
A última operação ocorreu por 27 horas ininterruptas. Na ocasião, os profissionais colocaram células-tronco – retiradas da bacia das meninas e tratadas anteriormente – entre os ossos para melhorar a circulação e diminuir a inflamação.
“O biomaterial é colocado entre os ossos, como se fosse um rejunte de um piso. Melhora a circulação, diminui a inflamação. Porque ela tem um efeito anti-inflamatório potente. Nós estamos sendo pioneiros nessa de técnica”, explicou o médico Hélio Machado ao Fantástico.
Em fevereiro, as gêmeas siamesas Heloá e Valentina Prado dos Santos, de 3 anos, também foram separadas no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad) em Goiânia, Goiás.
As duas nasceram unidas pelo tórax e abdômen. Elas dividiam bacia, fígado, os intestinos delgado e grosso e a genitália, o que tornou a procedimento cirúrgico de alta complexidade. Cerca de 60 profissionais de diversas especialidades atuaram na separação das gêmeas siamesas.
Na ocasião, o médico Zacharias Calil explicou que foi necessário dividir o fígado, o intestino delgado e o intestino grosso, e separar o osso da bacia das irmãs. Além disso, o sistema urinário delas também precisou ser modificado devido a alterações descobertas durante o procedimento.
