Nesta quinta-feira, o Vasco emitiu uma nota oficial sobre a acusação de racismo relatada durante a partida contra a Ponte Preta na última quarta-feira (27).O técnico da Ponte Preta, Hélio dos Anjos, teria comunicado ao árbitro que ouviu ofensas raciais vindas da torcida vascaína.
A partida foi válida pela quarta rodada da Série B do Campeonato Brasileiro e aconteceu em São Januário.
A manifestação em questão aconteceu após um desarme feito por Yuri Lara perto da linha lateral. Após o lance, a torcida começou a fazer barulhos de latido, incentivando o jogador. Esse comportamento, que se repetiu em partidas anteriores, se deu após os torcedores o compararem com um cão de guarda da defesa vascaína.
Ao final da partida, o próprio jogador conversou com o adversário Ramon Carvalho na zona mista e explicou o ocorrido.
Em nota, o clube negou que tenha havido racismo e relembrou a “Resposta Histórica”, considerada “o maior símbolo da luta contra racismo no futebol brasileiro”.
Árbitro não relatou racismo
Rodolpho Toski Marques, o árbitro paranaense que atuou na partida, relatou na súmula que foi comunicado pelo técnico da Ponte Preta sobre a manifestação e destacou que não ouviu os “sons de macaco” que teriam partida da torcida vascaína.
“Aos 39 minutos do segundo tempo, com o jogo paralisado, o atleta de número 40, senhor Ramon Rodrigo de Carvalho, e o técnico, senhor Hélio Cézar Pinto dos Anjos, ambos da equipe Ponte Preta, informaram ao árbitro que ouviram sons de macaco vindos da torcida do Vasco da Gama.”, relatou o árbitro.
“Esses sons não foram ouvidos pela equipe de arbitragem e nem pelo delegado da partida”, relatou o árbitro.”, completou o árbitro.
Confira a Nota Oficial do Clube
“Fomos surpreendidos na noite da última quarta-feira (27/04) em São Januário com uma absurda acusação de racismo direcionada a torcida do Vasco vinda de alguns profissionais da A. A. Ponte Preta.
Algo sem fundamento algum e que se baseou equivocadamente num canto criado pela torcida do Vasco utilizado para homenagear o volante Yuri Lara, algo já feito, por exemplo, por outras torcidas e em outras praças esportivas.
Ao se fazer uma acusação de racismo, crime gravíssimo, além de se ter certeza do que está sendo dito, é imprescindível se conhecer o histórico dessa luta no país. E não há como falar do combate ao racismo no futebol brasileiro sem que o Vasco da Gama seja o principal protagonista.
Nossa luta não começou agora, mas sim em 07 de abril de 1924, quando escrevemos a “Resposta Histórica”, o maior símbolo da luta contra o racismo no futebol brasileiro. O Vasco da Gama se orgulha de ser um pioneiro nesta luta e um ativo defensor de seus ideais, que não esmoreceram com o passar dos anos.
E o estádio de São Januário sintetiza a maior da luta do Vasco da Gama contra a chaga do racismo. Foi construído pelos vascaínos como resposta às elites da época que resistiam a inclusão de pretos, operários e imigrantes pobres no futebol.
Portanto, como não poderia ser diferente, condenamos a atitude e lamentamos que uma pauta tão séria seja utilizada da forma que foi.
São Januário é a casa do legítimo clube do povo e fazemos questão de que continue sendo assim.”
