A Polícia Civil está em busca da identificação do homem que lançou fogo em direção a uma garota de programa na Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, na madrugada do último sábado (10). O ataque violento foi registrado em vídeo. (Assista abaixo)
As imagens foram filmadas pelo próprio motorista do carro onde estava o suspeito. Na gravação, é possível ver que o veículo se aproxima de duas mulheres trans. O rapaz, que está no banco do passageiro, então acende um isqueiro e pressiona um frasco de produto com aerosol, provocando chamas.
Veja:
O caso foi registrado, na noite desta segunda-feira (12), como tentativa de lesão corporal e injúria.
Segundo o relato das vítimas, elas estavam às margens da avenida quando um automóvel se aproximou e seus integrantes passaram a proferir ofensas por elas serem transexuais.
As jovens então responderam aos xingamentos e o carro saiu em disparada, retornando logo em seguida, com o rapaz pronto para acender o isqueiro contra elas, o que foi filmado.
“Passou um tempo, esse carro voltou com os vidros de trás levantados e os dois da frente baixados. A gente achou que era programa. Quando nós fomos botar a cara, ele [carona] levantou o desodorante, eu saí rapidamente, mas eu não consegui avisar à Beatriz”, contou Gabrielle Victória ao G1.
Beatriz Stephany Babrosa Villela Vicente, de 18 anos, teve o cabelo todo queimado pelo agressor. Ela contou que no dia seguinte, o rapaz voltou ao local do crime e tentou suborná-la para que não falasse sobre o incidente com a polícia e com a mídia.
Em entrevista ao G1, a garota de programa trans atacada com fogo também falou sobre como episódios de violência e discriminação são recorrentes em sua vida. Beatriz mencionou, por exemplo, uma ocasião em que alguém tentou atirar em seu pé.
Ao jornal ‘O Globo’, ela revelou estar com medo de sair na rua até mesmo para realizar atividades corriqueiras como ir ao mercado, mas principalmente para trabalhar como acompanhante. A jovem teme que os agressores possam querer se vingar devido à repercussão do crime.
O caso despertou a atenção da deputada federal Erika Hilton (PSOL/SP), que classificou o ocorrido como um “ataque violento e transfóbico”, reforçando a necessidade de identificar e punir os responsáveis.
Em abril deste ano, a deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi condenado a pagar R$ 80 mil à parlamentar Duda Salabert (PDT-MG) por danos morais. A decisão diz respeito às falas transfóbicas feitas por ele durante uma entrevista em 2020.
Menos de um mês depois, o sertanejo Bruno, parceiro de Marrone, causou uma imensa polêmica após proferir uma fala transfóbica para uma repórter transexual.
Na ocasião, a jornalista Lisa Gomes, da Rede TV!, estava se preparando para entrevistar o cantor quando ele fez uma pergunta sobre seu órgão sexual: “Você tem p*u?”. Constrangida, a repórter respondeu: “Como assim?”. E Bruno mais uma vez repetiu a pergunta em voz alta, usando o mesmo termo:“P**. P**”.
O pedido de desculpas do sertanejo veio após três dias.
