Dois professores e três gestores de uma escola de São Paulo se tornaram réus por abandono de incapaz no caso da aluna que foi encontrada morta durante uma excursão escolar em uma fazenda em Itatiba, no interior do estado, em 2015. A vítima Victoria Mafra Natalini tinha 17 anos.
Em 14 de setembro deste ano, o juiz aceitou a acusação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra os cinco funcionários da instituição de ensino.
Para o promotor, os dois professores que acompanhavam os estudantes foram omissos com as obrigações e negligentes, enquanto o gestor-executivo, a gestora pedagógica e a coordenadora do ensino médio da escola são responsáveis por terem autorizado a excursão com um número baixo de monitores.
Relembre a morte de aluna na excursão escolar
Em setembro de 2015, Victoria e outros 30 alunos estavam em uma fazenda às margens da Rodovia Engenheiro Constância Cinta, em Itatiba, para atividades extracurriculares de matemática e topografia entre os dias 11 e 18. O grupo era acompanhado pelos dois professores agora indiciados e por três técnicos de topografia.
Segundo a investigação, no dia 16, a adolescente e alguns colegas faziam um trabalho de campo afastados da sede da fazendo quando, por volta das 14h, ela avisou que precisava ir ao banheiro e seguiu para o local por uma estrada de terra.
No entanto, a estudante desapareceu durante o trajeto de 500 metros e só foi localizada morta por um helicóptero da Polícia Militar (PM) na manhã seguinte. Victoria estava deitado de bruços, no sentido oposto e a mais de um quilômetro do banheiro.
Exames comprovaram que a aluna encontrada morta durante a excursão escolar não havia consumido bebida alcoólica e nenhum tipo de drogas, como também não havia sido vítima de violência sexual. Sem chegar a nenhuma conclusão, o Instituto Médico Legal (IML) de Jundiaí apontou a causa da morte como indeterminada e com possibilidade de causa natural.
Em março de 2016, o Departamento de Homicídios de São Paulo (DHPP) assumiu o caso e um novo laudo, do Centro de Perícias da Secretaria de Segurança Pública do estado, apontou a causa da morte da estudante como asfixia mecânica, na modalidade de sufocação direta.
Inconformado com a morte da filha, o pai de Victoria chegou a contratar peritos para analisarem o caso e a conclusão dos profissionais foi de que ela foi assassinada e que o criminoso carregou o corpo da vítima até o local onde foi encontrado.
Conforme a DHPP, a fazenda era um local aberto e nela existia um grande fluxo de pessoas que trabalhavam na propriedade e nos arredores. Contudo, até hoje, nenhum suspeito pelo crime foi identificado e o processo foi arquivado.
Conforme a escola, a fazenda era usada há pelo menos dez anos para a realização de atividades pedagógicas e era considerado um local seguro.
Em maio deste ano, um estudante recém-formado pulou no mar infestado por tubarões ao ser desafiado por colegas durante uma excursão escolar e sumiu na água nas Bahamas, perto da Ilha de Athol. Um vídeo registrou o momento em que ele desapareceu na água.
