Familiares do brasileiro Hasan Rabee, que tenta ser repatriado, morreram durante um ataque aéreo feito por Israel na Faixa de Gaza durante a noite de quinta-feira (19). A informação foi confirmada pela Embaixada do Brasil na Palestina nesta sexta-feira (20).
Em entrevista, Hasan explicou que seu primo, a esposa dele, todos os filhos e netos do casal foram mortos em um bombardeio que atingiu o prédio onde eles viviam.
“Teve um bombardeio perto da casa deles, e o prédio inteiro foi destruído. Era um cidadão do bem, trabalhador, não tem nada a ver com isso. Não sei nem quantas crianças têm de morrer para parar essa guerra e os ataques contra civis aqui na Faixa de Gaza”, desabafou Hasan à GloboNews.
Autoridades palestinas afirmaram que 352 pessoas morreram na Faixa de Gaza entre quinta-feira (19) e esta sexta (20).
Segundo Alessandro Candeas, embaixador do Brasil na Palestina, os familiares do brasileiro que foram mortos em Gaza não têm cidadania brasileira.
À CNN Brasil, Hasan contou que suas filhas estão trancadas há 13 dias dentro de casa e que o barulho das bombas é contínuo. O brasileiro que está na Faixa de Gaza ainda relatou que a família só tem o que comer graças ao apoio do embaixador do Brasil na Cisjordânia, que providencia “todos os recursos que a gente precisa”.
Hasan é um dos brasileiros que aguarda a fronteira do Egito ser liberada para que ele possa voltar ao Brasil. No início da semana, ele compartilhou um vídeo para gradecer o recebimento de diversos litros de água e comida.
“Faz tempo que a gente estava sem água para beber. (…) A gente estava louco para beber água boa”, contou na ocasião.
Até a manhã desta sexta-feira (20), o número de mortos em Gaza desde o início da guerra é de pelo menos 4.137, entre eles, mulheres, crianças e idosos. Já do lado israelense os óbito estão estimados em 1.402, onde mulheres, crianças e idosos também foram assassinados.
Os israelenses filhos de brasileiros Gavriel Yishay Barel, de 22 anos, e Noah Elimech Rotenberg, e Celeste Fishbein, também foram assassinados.
Após o ataque surpresa do Hamas a Israel no dia 7 de outubro, o governo israelense bloqueou a entrada de água, alimentos, medicamentos, eletricidade e combustível na Faixa de Gaza.
Desde então, a situação dos mais de 2 milhões de palestinos se deteriorou rapidamente em meio a bombardeios intensos feitos pelas forças Forças de Defesa de Israel.
Agora, depois de muita pressão, Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, cedeu aos pedidos da comunidade internacional e, sobretudo, de Joe Biden, presidente dos EUA, e autorizou o envio de ajuda humanitária para o território.
Mais de 100 caminhões com mantimentos estão na fronteira e aguardam autorização para entrar em Gaza.
